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Sexta-feira, 20 de Abril de 2007
Nostalgia do “Tal Canal” by João Lopes

Li esta crítica no Diário de Notícias e achei interessante partilhar com quem não leu!

Não é por acaso que o Tal Canal, de Herman José, se transformou numa referência clássica da televisão portuguesa. Por ele passava, afinal, esse misto de narcisismo e crueldade com que a televisão se pode contemplar, reconhecendo as suas maravilhas e castigando a sua mediocridade. Compreende-se, por isso, que o actual programa de Herman, Hora H (SIC), exista condicionado pelo peso dessa herança: afinal de contas, não é simples repetir a subtileza e o impacto de um modelo que dificilmente admite uma “cópia”, mesmo (ou sobertudo) tentada mais de duas décadas passadas sobre o original.
Em todo o caso, não posso deixar de reconhecer estas considerações estão imbuídas de uma contradição subjectiva. De facto, do meu ponto de vista, são os “desvios” de Hora H em relação ao modelo original que me parecem menos interessantes e também menos pertinentes para a economia narrativa do programa (exemplo: a personagem a do “ucraniano” que parece pertencer a um banal pastiche do género de terror, em tudo e por tudo alheio à dinâmica geral de Hora H). Ou seja: é sempre mais consistente tudo aquilo que, da pose irónica à agilidade dos textos, remete para a herança plural de Tal Canal. Na última edição, isso tornou-se particularmente claro através dos três magníficos números musicais. Por um lado, tivemos o já clássico “Trio Admira-te” (Herman, Manuel Marques e César Mourão), deliciosa e muito sarcástica revisitação que se cola ao Trio Odemira como uma espécie de segunda alma; por outro lado, os “bonecos” que Herman fez, inspirando-se em Madalena Iglésias e António Calvário, foram breves mas sentido exemplar do entertainment televisivo.
Claro que Hora H não é a “salvação” da televisão portuguesa...Mas sabe bem ir descobrindo estes pequenos oásis, sobretudo em tempo de tanta mediocridade, em grande parte imposta pela imensa vulgaridade criativa da maior parte da “stand-up comedy” à portuguesa. Em caso de dúvida, veja-se e reveja-se Seindfeld

(Só me apraz dizer...ainda há “criticos” inteligêntes em Portugal, apesar de ter de mandar umas alfinetadas, ao Yuri por exemplo, no geral até gostei, principalmente do último parágrafo
Um abraço especial ao Yuri, é pena ser tão mal compreendido! Adoro aquele non-sense que gira à sua volta!Mas isso sou eu!)

Este Homem não é do Norte Carago:

publicado por Joana às 16:50 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Comentários:
De Joana a 20 de Abril de 2007 às 21:07
É verdade sempre fiz um blog do amigo Herman! E ele vem aqui cuscar muitas vezes:), tens razão quanto à foto no show do Cartaxo!Vou lá meter!lol!Beijos imensos para ti e para os teus meninos!


De Myia a 20 de Abril de 2007 às 20:45
Olá Joaninha! Sempre fizeste o blog do teu ídolo!!!! Ele que ponha os olhos nisto, sim senhora. Olha, só fico triste com uma coisa; no post sobre o show do Cartaxo, porque não puseste a foto em que estás a dançar com o Herman? Vergonha? :)
Beijinhos, filha, continua com a tua inocência linda. Ana / Myia


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