Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Herman José

Herman José

Falta de Estofo - João Gobern na TvGuia

Joana, 04.06.07
A gestão dos programas numa televisão comercial é, reconheça-se, tarefa que exige conhecimentos, dinâmica, iniciativa, investimentos e maleabilidade. Mas também coragem. Sobretudo quando é preciso enfrentar desaires de audiências e sair em defesa daqueles que, atravessando uma maré baixa, merecem o apoio e alguma teimosia – até em nome dos “serviços prestados”.
A 14 de Maio, foi divulgada uma decisão da Direcção de Programas da SIC: Hora H, o programa de Herman José, passaria a ser emitido a seguir ao final do Jornal da Noite. Essa tomada de posição foi, de resto, sublinhada e louvada aqui. A 20 de Maio aconteceu o previsto. Apenas uma semana mais tarde, o Hora H conhecia o seu quarto horário em 3 meses – agora é às 23:00, até quando? Que espécie de fidelização estará no horizonte de quem faz saltitar o programa desta forma? E que respeito se demonstra pelo espectador quando um “anúncio” é desmentido uma semana depois?
Mantenho o juízo de que o Herman José estará a pagar a factura de um excessivo prolongamento do Herman Sic. E a ideia de que Hora H está ao nível dos seus anteriores programas de humor. Nem será preciso falar da altíssima média alcançada pelo núcleo de actores, além do protagonista: os nomes de Maria Rueff, Manuel Marques e Ana Bola dispensam defesas de circunstância; César Mourão e Susana Cacela já conseguiram a integração plena. As personagens têm crescido, os “interlúdios musicais” ganharam vida própria, o surrealismo de Herman tem conquistado terreno.
Qual é o problema, afinal? Vivemos numa terra em que -literalmente- vale mais cair em graça do que ser engraçado. Ao ponto de se ver um académico de televisão, agora capaz de fustigar Hora H, eleger o extinto Cabaret da Coxa, de Rui Unas, como um óptimo programa de TV. Mantemos o nosso proverbial gosto pela expressão “já não é o que era”. Nada de mais injusto quando aplicado a Herman José, que continua a ser um dos poucos “faróis de nevoeiro” do humor televisivo nacional. Mas, como está a jeito, apanha de –quase- todos os lados.
O que parece escusado é o comportamento tibuteante da direcção de Programas do canal em que trabalha. Não deixa de ser curioso – e nobre – que as maiores manifestações de respeito por Herman cheguem dos Gato Fedorento, da RTP. Mas era em casa que o mais genial dos humoristas nacionais do pós-revolução precisava de um suporte claro. Para mal dos meus pecados , ainda me lembro de uma direcção da SIC que – com eventuais erros de percurso e com possíveis excessos – tinha a “mania” de defender os seus contra tudo e contra todos. Agora, o tempo é outro. E julgo que a expressão que melhor se lhe aplica vem do futebol ou daí perto: falta de estofo.

8 comentários

Comentar post